Notas sobre educação

Educação universal, obrigatória e “comum” é um modo de desconsiderar as necessidades vitais de cada um dos indivíduos sob o pretexto de atendê-las.

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Quem nunca sentiu que o ensino escolar enterrou bem fundo alguns de seus mais preciosos talentos permaneça onde está.

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É particularmente interessante a ideia do filósofo Harry Brighouse: a educação tem, ou deve ter, por finalidade preparar a criança para o florescimento. Em linhas gerais: deve prepará-la para compreender modos de vida diversos daquele em que nasceu, prepará-la para uma participação saudável na economia e prepará-la para contribuir positivamente para a política. A pergunta que se deve fazer, quando se imagina aplicar essa concepção no Brasil, é: tudo bem, irmão, mas quando teremos um número razoável de professores suficientemente capacitados para essa tão difícil tarefa?

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Não sei se vocês sabem, mas uma parte dos trabalhos acadêmicos em educação no Brasil é dedicada a analisar a luta de classes e a opressão capitalista; e a outra é dedicada a rosnar e a atirar pedras em instituições ligadas ao empresariado que, segundo os acadêmicos, têm tido acesso privilegiado e eficaz aos canais de formulação de políticas públicas de educação. Enquanto os marxistas falam e gastam tinta em defesas de teses arcaicas, o empresariado faz. O problema é que as modificações legislativas que acontecem nesse contexto devem ser aplicadas na ponta por professores que são formados pelos acadêmicos que ficam jogando pedra nos formuladores de políticas públicas — os opressores capitalistas. Resultado: nada anda.